As Nossas Preocupações com o Sistema das Nações Unidas em Angola


As Nossas Preocupações com o Sistema das Nações Unidas em Angola

 

Temos vindo a observar o elevado número de agências das Nações Unidas e organizações internacionais que operam em Angola. Depois de observarmos o trabalho realizado e o impacto produzido ao longo dos anos, começámos a fazer uma pergunta simples:

O que é que estas organizações realmente conseguiram transformar depois de tantos anos a operar no país?

Muitas dessas organizações parecem ser lideradas por pessoas mais preocupadas com autopromoção, interesses pessoais e acesso a dinheiro do que com a resolução dos problemas reais que afectam Angola e outros países africanos.

E isso levanta uma questão importante: por que razão Angola e tantos outros países africanos continuam sem grandes transformações positivas e visíveis, apesar de décadas de presença de organizações internacionais?

Um dos casos que mais nos preocupa é o UN Global Compact Network Angola.

A nossa experiência com esta organização foi extremamente decepcionante. Lidámos com uma jovem que, na nossa experiência, demonstrava pouco conhecimento sobre a própria organização, a sua missão e os grandes desafios globais que deveria ajudar a enfrentar, enquanto parecia estar muito focada em contribuições financeiras e em aumentar o número de empresas e bancos dentro da rede.

A nossa organização iniciou o processo de entrada no Global Compact entre Abril e Junho de 2024. Assinámos um compromisso de combate à corrupção porque levamos esses princípios a sério.

 

No entanto, não podíamos aceitar aquilo que entendemos como pressão financeira e pedidos de dinheiro. Como organização comprometida com a integridade, recusámo-nos a participar em qualquer situação que considerássemos incompatível com os nossos princípios.

Depois da nossa recusa, a nossa organização foi retirada do processo do Global Compact em Novembro de 2024.

Também enfrentámos situações que considerámos perseguição contra o nosso CEO. Em determinado momento, a responsável não queria sequer convidar o nosso CEO para a reunião de onboarding. Graças ao Sr. Lucas Ribeiro, do Brasil, e à sua equipa, conseguimos participar no processo de onboarding.

 

Mais recentemente, encontrámos informações segundo as quais a mesma pessoa que, segundo a nossa experiência, removeu injustamente a nossa organização estava posteriormente a ser apresentada como membro legítimo do UN Global Compact e competiu para o premio das 100 Mulheres Mais Influentes de Angola

Nós protestamos contra esta situação e questionamos também o papel de pessoas dentro do PNUD/UNDP que, segundo a nossa compreensão dos acontecimentos, terão ajudado ou permitido aquilo que aconteceu.

 

Depois de apresentarmos uma reclamação, fomos informados de que a pessoa que eliminou a nossa organização do sistema seria alegadamente uma hacker ligada ao PNUD.

Se essa informação for verdadeira, estamos perante uma questão extremamente séria que exige respostas sobre segurança, responsabilidade institucional e acesso aos sistemas.


 

Queremos respostas.

Queremos que os responsáveis sejam investigados e, caso seja comprovada qualquer irregularidade, que sejam responsabilizados através dos mecanismos apropriados.

É profundamente frustrante ver pessoas a falar publicamente sobre os ODS, sustentabilidade, combate à corrupção e desenvolvimento, enquanto, segundo a nossa experiência, as suas próprias acções parecem estar mais relacionadas com dinheiro e promoção pessoal do que com a resolução dos problemas que afectam Angola.


As Nossas Suspeitas em Relação ao Banco Millennium Atlântico

 

Durante o período em que o nosso CEO estava a ser perseguido, também começámos a observar aquilo que considerámos movimentos suspeitos envolvendo a responsável do Global Compact, pessoas do PNUD que associávamos a ela e o Sr. Hervé Lado, juntamente com o Banco Millennium Atlântico (ATLANTICO) em Angola.

Começámos a receber convites repetidos e, para nós, estranhos por parte do banco, apesar de a nossa organização nunca ter sido cliente do ATLANTICO e o nosso CEO nunca ter tido uma conta nesse banco.

 

Naquele momento, perguntámos:

Por que razão um banco com o qual nunca tivemos uma relação bancária estava subitamente tão interessado em convidar-nos?

Por que razão esses convites começaram a acontecer precisamente durante o período em que estávamos a enfrentar problemas com o Global Compact?

Na altura, suspeitámos que poderiam estar a tentar envolver a nossa organização em determinados movimentos ou operações financeiras que não tínhamos solicitado nem autorizado.

Hoje, depois de termos descoberto novas informações, as nossas suspeitas tornaram-se ainda mais preocupantes.

O Banco Millennium Atlântico aderiu oficialmente ao United Nations Global Compact em Agosto de 2022, assumindo publicamente o compromisso com os princípios do Global Compact.

Mais tarde, em Maio de 2026, durante o lançamento oficial da UN Global Compact Country Network Angola, o ATLANTICO assumiu a presidência do Conselho de Administração da rede.

Diante dessas informações, surge uma pergunta muito séria:

Será que o dinheiro que a responsável do Global Compact nos estava a pedir poderia estar, de alguma forma, relacionado com o ATLANTICO, em vez de se tratar de um pagamento oficial para a conta institucional do UN Global Compact?

Não estamos a apresentar esta possibilidade como um facto comprovado.

Estamos a exigir respostas porque as circunstâncias que vivemos e as ligações que descobrimos tornam esta pergunta impossível de ignorar.

Queremos saber:

Por que razão fomos repetidamente convidados pelo ATLANTICO se nunca fomos clientes do banco?

Quem iniciou esses convites?

Que informações sobre a nossa organização e sobre o nosso CEO foram partilhadas com o banco?

Os pedidos financeiros feitos à nossa organização eram oficialmente autorizados pelo UN Global Compact?

E, sobretudo:

Para onde exactamente deveria ir o dinheiro que nos estavam a pedir?

As nossas suspeitas naquele momento podem não ter sido infundadas.

Só agora descobrimos informações que tornam toda esta sequência de acontecimentos ainda mais preocupante.

Por isso, queremos transparência.

Queremos os documentos.

Queremos os registos financeiros.

Queremos as comunicações.

Queremos saber quem tomou as decisões e com que autoridade.

E queremos uma explicação institucional clara sobre o que realmente aconteceu.


África Precisa de Transformação, Não de Autopromoção

Não precisamos de mais pessoas a utilizar organizações internacionais para construir carreiras, obter visibilidade ou promover interesses pessoais.

África precisa de pessoas verdadeiramente comprometidas com a transformação.

Angola precisa de instituições que sejam transparentes, responsáveis e capazes de demonstrar resultados concretos.

Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável não podem ser apenas palavras bonitas, fotografias, conferências, publicações nas redes sociais ou instrumentos de autopromoção.

Os ODS devem significar impacto real na vida das pessoas.

E quando uma organização fala de combate à corrupção, transparência e sustentabilidade, esperamos que esses princípios também sejam aplicados dentro da própria organização.

Nós não estamos a pedir privilégios.

Estamos a pedir respostas, transparência e responsabilização.

A nossa organização recusou comprometer os seus princípios.

E continuaremos a fazer perguntas sempre que encontrarmos situações que consideremos incompatíveis com a integridade, a transparência e o verdadeiro espírito do desenvolvimento.

África não precisa apenas de organizações presentes em África.

África precisa de organizações que realmente transformem África.

 

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